sexta-feira, 11 de março de 2011

20/01/2011 ARICA-PUTRE-PARINACOTA

Fomos buscar a Toyota Hilux na locadora Hertz (135000 pesos por dois dias com as taxas e seguros). Aqui vale lembrar que nós penamos no dia anterior para encontrar uma agência confiável: a Cactus parecia um stand de camelo muito sujo e estranho, a Klasse era um galpão com depósito de carros velhos alugados sem seguro algum e a preços nada em conta, ficamos com o padrão de qualidade Hertz que para a rota que desejávamos só tinha pick-ups disponíveis. Com galão extra cheio de diesel seguimos com nosso GPS pela rota mais curta, o que não quer dizer que é a melhor. Fizemos uma rota Arica-San Miguel pelo Vale de Azapa com grandes áreas de agricultura encravadas no deserto, pegamos a saída para Cuesta Del Aguila subindo a Quebrada del Diablo com belas paisagens ao fundo. Na bifurcação Poconchille-Cuesta del Aguila seguimos a orientação do GPS para a Cuesta del Aguila, uma decisão que nos colocou em uma estrada do Rally Dakar, com certeza a rota mais perigosa da viagem com passagem para um só veículo, curvas fechadas e precipícios de perder o fôlego, enfim um visual árido ao extremo sem uma alma viva ao redor. Essa travessia nos jogou mais na Ruta Internacional 11, daqui continuamos subindo passando pela área árida habitat do endêmico, mas feioso cactus candelabro. Mais acima já com habitat mais verdejante fizemos uma parada no mirante de Putre com nevado de Putre ao fundo “sem neve”, pasamos por Las Cuevas onde se concentram viscachas e mais bofedais do antiplano com lhamas e vicuñas. Nosso plano foi seguir em frente até as Lagunas de Parinacota, um local de degelo com vista para os Nevados de Payachata (Vulcões Parinacota e Pomerape), aqui fizemos nosso almoço em uma área de piquenique as margens da estrada. Seguindo mais a frente, encontramos o Lago Chungará (o lago mais alto do mundo com 4550 metros de altitude) com um volume reduzido de água, aqui buscamos informações sobre pernoite com o guarda-parque no alojamento as margens do lago. Vimos que o alojamento do guarda-parque era uma opção de hospedagem boa e barata no antiplano, mas resolvemos procurar algo com alimentação. Daqui pra frente encontramos um grande engarrafamento de carretas na fronteira com a Bolívia, sem poder seguir em frente, nós voltamos rumo ao Povoado de Parinacota via GPS. Para nossa surpresa, o encontramos o Povoado de Parinacota (4400m) vivo com habitantes, hotel, mercearia, nesse momento não tivemos dúvida em nos hospedar no Hostel Uta Kala de Don Leo (10000 pesos por pessoa) (leonel_parinacota@hotmail.com; artesaniasirma@live.cl) um lugar com artesanias, baños calientes, cena, desayuno, chá de chachacona e coca (ervas ótimas para o puna) e pôr do sol com vista para bofedais cobertos de lhamas. Daqui fizemos caminhada no fim da tarde nas trilhas do Parque Nacional Lauca e no bofedal em frente ao povoado, provamos também alpaca defumada servida na vendinha do povoado. À noite, jantamos a comida preparada pelo Leo: sopa de legumes de entrada mais lhama grelhada com purê de papa com quinua como prato principal. Chegou a hora de dormir e nesse dia foi difícil, sentimos dificuldades para respirar pela altitude e tivemos que abrir a janela do quarto para entrar mais ar e obviamente mais “frio”.

19/01/2011 ARICA

Saímos de Iquique para Arica (7200 pesos) pontualmente as 08h00min, afinal era um bus da TurBus. No árido caminho para Arica seguimos pelo planalto da pré-cordilheira. Logo na descida da Quebrada de Chiza rumo a Camarones conseguimos ver as com figuras humanas e de animais dos gigantescos geóglifos de Chiza, não conseguimos ver os famosos geóglifos de Tiliviche. Chegamos por volta das 13:00 e tomamos um taxi para o familiar Hostel Chiloé localizado na rua de mesmo nome, nossa reserva pela internet (27000 pesos para 3 pessoas) foi uma ótima escolha, o hostel recém reformado conta com espaçosas e bem decoradas habitações, um bonito jardim de inverno e é chefiado por uma agradável senhora que adora conversar. Fomos conhecer Arica e visitamos prédios como Igreja de San Marcos (produzida em ferro por Gustave Eiffel), a Praça Vicuña Mackenna e prédios ao redor como a aduana e a antiga estação ferroviária Arica-La Paz. Também visitamos o Porto de Arica onde enormes pelicanos se debatiam para encontrar espaço em busca da comida junto com bandos de leões marinhos, fizemos um breve passeio de barco (5000 pesos) pela Baía de Arica onde podemos observar leões marinhos nas bóias do porto e apreciar o Morro de Arica com estátua do cristo no topo. De volta à terra firme, subimos as escadarias do Morro de Arica para assistir o belo pôr do sol no oceano, forma incomum de pôr do sol para quem mora no Brasil. Valeu também a visita ao Museu Histórico e de Armas do Morro de Arica, local que conta a histórica da batalha final contra peruanos e bolivianos pelo controle dessas terras.

18/01/2011 IQUIQUE

Com o Suzuky 4x4 alugado tratamos de comprar o galão de 20 litros extra em um posto da cidade. Dirigimos até PanAmericana voltando um pouco rumo ao sul até Pozo Almonte onde completamos o tanque e compramos os lanches para a viagem. De volta a estrada seguimos rumo norte até Huara onde tomamos a ruta A-55 rumo ao antiplano chileno. Logo no início surge no horizonte do deserto o Cerro Unita, tomamos um desvio de fácil acesso até deparar com o Gigante do Atacama, o maior geóglifo do mundo, a boa é ficar um pouco distante para identificá-lo, rodando ao redor do Cerro vimos outros pequenos geóglifos. Subindo pela A-55 atravessamos a Quebrada de Taracapa e passamos pela entrada para Termas Chusmiza, esse trecho seco e belo se mostrou extremamente perigoso com curvas sem sinalização e desfiladeiros com centenas de metros de profundidade. Saímos da rodovia na indicação para Mauque, ligamos nosso GPS já com mapas do Chile instalados no Brasil e com rotas do antiplano programadas rumo ao Geysers de Puchuldiza. Para chegar ao Geyser com auxílio do GPS, a estrada passou por belas paisagens de bofedais do antiplano ricas em lhamas, vicuñas e suris (avestruzes). Pouco antes do mirante do Geyser (4200 metros altitude), um ancião andino apareceu cobrando entrada (1000 pesos), nós pagamos a taxa e seguimos para o Geyser como já estávamos no meio da manhã as atividades geotermais estavam baixas, pouco vapor e muita borbulha com esporádicos jatos de água, ainda assim, não pode dar mole. Rodamos todo o campo geotérmico guiando-se pelos rastros dos pneus de outros visitantes e encontramos a piscina termal de Puchuldisa. Estrategicamente projetada na encosta do Geyser e alimentada pelo riacho de água fervente, em Puchuldiza encontramos a melhor de todas as piscinas termais, pequena e privativa com mais ninguém ao redor! Seguimos de volta e agora programamos o GPS para rumar em direção ao Parque Nacional Isluga e seus povoados quase desabitados (Mauque, Ancuyo, Enquelga, Isluga). Mauque é um pequeno povoado com igreja e casinhas, já Ancuyo pareceu abandonada servindo somente como ponto de apoio para os criadores das centenas de lhamas e vicunãs no bofedal ao redor da seca Laguna Aravilla. Fizemos uma breve caminhada na Laguna Aravilla. A partir desse ponto seguimos margenado os bofedais ao redor do Rio Isluga cheios de lhamas e patos d´água. Passamos por Enquelga com sua grande igreja colonial com campanário em separado e tomamos um novo desvio à direita para as Termas de Enquelga, de livre acesso e formada por duas piscinas públicas com água aquecida pelo Vulcão Isluga, encontramos uma área de piquenique onde almoçamos com vista para o povoado de Caraguano e Vulcão Isluga, lado ruim da piscina foi a presença de nativos que usam a piscina para se banhar com sabonete e shampoo prejudicando a qualidade da água. Voltamos para a estrada principal parando mais adiante no povoado de Isluga, o maior e mais fotogênico povoado do Parque Nacional, continuamos bordeando os bofedais e as criações de lhamas até alcançar a ruta A-55 novamente. Seguimos pela A-55 até Colchane, a última cidade antes da Bolívia, como não tínhamos autorização para o carro alugado, começamos a fazer o caminho de volta para Iquique. O prazo estava apertado e cortamos a visita ao recomenda Vila de Cariquima, mais habitada que as demais e aos pés do vulcão de mesmo nome. A ruta A-55 corta regiões belíssimas do antiplano e está entre as mais belas rodovias do norte do Chile. Ao chegarmos a bifurcação da A-55 com a PanAmericana em Huara tivemos que completar o tanque com gasolina do galão porque não daria para chegar até o fim. Já na saída da PanAmericana rumo a Iquique, tentamos visitar o povoado de Humberstone, a maior cidade abandonada da época áurea das salitreiras, mas demos azar porque o local já estava fechado.

17/01/2011 IQUIQUE

O bus de Calama para Iquique não seguiu pela PanAmericana e sim pela Ruta Litorânea parando nas cidades ao longo do percurso, chegamos em Iquique às 5:00 desembarcando no belo prédio histórico utilizado pela TurBus como terminal exclusivo, adiantamos a compra das passagens Iquique-Arica (7200 pesos) e seguimos para o Hostel Backpackers (diária pelo preço 21000 pesos para três pessoas) na badalada Praia Cavancha. Depois de dormir na recepção, fizemos o check-in e tiramos mais um cochilo. A boa do dia era conhecer a cidade, pretendíamos rodar essa região do Chile e conhecê-la muito bem, ao contrário da maioria das pessoas que usam este ponto de trampolim para algum outro lugar. Caminhamos pela bonita orla até a Caleta Pesquera onde curtimos a movimentação dos lobos marinhos e o trabalho dos pescadores no Porto, seguimos para a bonita Praça Arturo Prat onde se concentra o Teatro Municipal, Torre do Relógio, Coreto e prédios históricos da época do salitre. Decidimos ver os pescados e frutas típicas no Mercado Municipal de Iuquique onde também compramos ceviche a um excelente preço, a boa foi almoçar no segundo andar do mercado onde comemos chupe de mariscos e a excelente reineta grelhada, um peixe típico dessa região. Seguimos pela cale peatonal Baquedano onde concentram-se as históricas construções de Iquique e Museo da Cidade. Pausa para o mergulho na Praia de Cavancha em frente ao Hostel, mas não deu pra curtir muito porque todo o mar no Norte do Chile estava tomado por águas-vivas gigantes, valeu pra dizer: mergulhei no Pacífico! Descansamos um pouco no excelente hostel, talvez o melhor de toda a viagem. Ao entardecer, buscamos o Suzuky Grand Vitara na Econorent Car pré-reservado ainda no Brasil (diária de 44000 pesos com seguros e taxas) e seguimos para o Zofri, a imensa zona franca de Iquique, é claro que precisamos de algumas horas para percorrer e pesquisar as lojas desse complexo. Os preços são realmente bons e ao fim das compras, entre um penduricalho e outro acabamos comprando uma filmadora Sony por 1/3 do valor brasileiro, a filmadora veio a ser muito útil no resto de nossa viagem.

16/01/2011 SAN PEDRO DE ATACAMA

O dia começou no susto. A van iria passar para nos buscar no Hostel às 5:00 horas e acordamos às 5:30, fomos perguntar na recepção pela van e por sorte ela estava atrasada, foi o tempo de colocar a roupa e pegar a mochila que a van bateu na recepção. Refeitos do susto, sem café e sem escovar os dentes, cruzamos o Salar de Atacama direto para a Laguna Chaxar na Reserva Nacional Los Flamencos-Sector Soncor (2500 pesos adultos). Chegamos cedo e apreciamos um belo amanhecer com populações de flamingos e reflexo do Licancabur e Lascar nas águas da laguna. Após a empresa servir o desayuno no centro de visitantes do parque, nossa van seguiu para a Carretera Antiplânica até o Povoado de Socaire onde fizemos uma visita a bonita igreja do Povoado com um telhado de madeira de cactus e cercada por cultivos em terraços pré-incaicos, agendamos o almoço em pensão familiar do povoado (quiche de quinua mais ensopado de lhama). O caminho tomou um desvio à esquerda até a portaria do Setor Socaire do Parque Nacional Los Flamencos (2500 pesos adultos), dali fizemos um pequeno trekking até as paradisíacas lagunas, a primeira a ser vista é a Laguna Miscanti com seu azul profundo e Vulcão Miscanti se destacando na cordilheira ao fundo. Por caminho controlado seguimos até a Laguna Miñique, menor que a primeira, mas igualmente bela com Cerro Miñiques se destacando. Daqui retornamos para Socaire onde o almoço nos aguardava, seguindo depois para Toconao com breve parada para visitar a praça e igreja, e depois para San Pedro. No caminho de retorno passamos pelo Trópico de Capricórnio e pela portaria do Observatório Astronômico Internacional. Pausa para fazer as compras na vila, descasar um pouco com pisco sour e se preparar para partir. Não sabíamos ainda, mas ao fim da viagem elegeríamos San Pedro a mais aprazível cidade. Tomamos às 20h00min o pontual e confortável bus da TurBus cujas passagens foram compradas com dois dias de antecedência na agência da Rua Licancabur (San Pedro-Calama 2500 pesos), chegamos em Calama após duas horas e tomamos o segundo TurBus às 23:00 para Iquique (Calama-Iquique 13000 pesos).

15/01/2011 SAN PEDRO DE ATACAMA

O tour para o Geyser Del Tatio começa às 04h00min da manhã em van turísitica. O trecho inicial de asfalto foi tranqüilo para dormir, mas quando chegamos ao trecho de terra foi um tal de trepidar nas costelinhas da estrada. Acordamos ao chegar à portaria do Geyser (5000 pesos estrangeiros, 2000 pesos estudantes) com uma temperatura de -7°C do lado externo, e enjoados com a diferença de altitude de 2450 para 4250 metros. O Geyser estava bem ativo ao amanhecer com alguns pontos jorrando água com bastante força, muito mais ativo que o Geyser Sol de Mañana. O campo geotérmico é imenso e bem sinalizado, não dá pra dar bobeira, assim que o sol surgiu a temperatura subiu e ficou mais agradável, deu para fazer ótimas fotos. Fizemos nosso desyauno ali mesmo sobre o campo e seguimos para as piscinas vulcânicas ao lado da portaria, impossível não matar a curiosidade e entrar na piscina aquecida por um riacho de águas ferventes. De volta à estrada, notamos que o habitat é de antiplano com vicuñas no horizonte, de fácil locomoção e orientação para carros pequenos. Passamos por um cartão postal, o bofedal do vale do Rio Putana com uma bela vista do Vulcão Tatio e Cerro Volcan a oeste e Nevados Tocorpuri a leste. Seguindo a estrada e chegamos ao fotogênico Povoado de Machuca onde visitamos a bonita igreja colonial e provamos o churrasquinho de lhama vendido pelos moradores. Chegamos a Atacama por volta das 13h00min horas e fomos almoçar e descansar um pouco antes do próximo tour. O passeio para Laguna Cejar saiu às 16:00 horas por um caminho arenoso no Salar de Atacama, aqui carro pequeno agarra fácil! A Laguna Cejar (2000 pesos adultos, 1500 pesos estudantes) diminui o volume de suas águas verdes turquesas no verão dividindo-se em 2 lagunas sendo que somente em uma delas o banho é liberado. Sem levar muita fé nós fomos conferir: ver se não afundava mesmo e realmente não afunda. Se ficar flutuando foi tranqüilo, difícil foi tirar o sal da pele, só mesmo com garrafas de água doce que a empresa disponibilizou. Banho para tirar completamente o sal rola um pouco mais a frente nos Ojos del Salar, dois buracos gigantes com água doce e fria que surgem no meio do salar. Seguimos dali para a Laguna Tebinquiche para assistir o pôr do sol na Cordilheira, encontramos a laguna quase seca expondo o salar e lembrando em muito a superfície do Salar de Uyuni, vale lembrar que a maior parte do Salar de Atacama tem um solo pedregoso devido à falta de chuvas, e não linear como o Salar de Uyuni. Ao chegarmos a San Pedro, fomos à agência que realiza o tal tour astronômico, mas desistimos frente ao valor de 35000 pesos para um tour de três horas.

14/01/2011 SAN PEDRO DE ATACAMA

Fizemos um tour pelo centro de San Pedro conhecendo as ruas bucólicas e a praça central. Conhcemos o Museu de Arqueologia Padre Gustavo Le Paige (2500 pesos por pessoa) que tem um interessante acervo dividido em diferentes ambientes, contando de forma cronológica a evolução dos povos pré-atacamenhos e atacamenhos cobrindo todos os aspectos culturais como o início da agricultura, domesticação de camelídeos, arte em pedra. Destaque também para recipientes para substâncias alucinógenas que eram largamente utilizados pelos atacamenhos. Saímos do museu e visitamos a branquíssima Igreja de San Pedro cujo telhado e portas são feitos com madeira de cactus do deserto. Para conhecer as ruínas do Pukara de Kitor tomamos um taxi na praça que funciona como rodoviária, combinando também o retorno com o taxista após 01h30min de visita ao Pukara (8000 pesos pelo grupo, ida e volta). Chegamos ao Pukara de Kitor (2000 pesos por pessoa) com um sol escaldante e subimos a pequena trilha que dá vista para o Vale do Rio San Pedro, lá de cima podemos entender que o local onde foi construída a cidade é um oásis no trajeto do Rio San Pedro. De cima do Pukara tem-se uma vista privilegiada de toda a região, o que protegia os atacamenhos de qualquer invasão por outros povos andinos à época da fortaleza. A forma de empilhar as pedras para construção não segue os padrões mais organizados das culturas tiahuanaco e inca, os atacamenhos eram mais rústicos para construir suas habitações. Na volta passamos pelos canais artificiais que servem para irrigar as plantações em San Pedro. Uma boa pedida foi a visita a feira artesanal que fica na passagem de pedestres entre a praça principal e a rodoviária de San Pedro. Após o almoço, fizemos o tour ao Vale de La Luna e Vale de La Morte. No início a van para em um mirante na estrada para Calama onde podemos ver o ambiente árido e estéril do Vale de La Luna. Na primeira parte de visita conhecemos o lado norte da Cordilheira de Sal (Vale de La Morte) e na outra metade o lado sul da Cordilheira de Sal (Vale de La Luna). No Vale de La Morte fizemos uma breve caminhada descendo por uma estrada em meio as dunas e as formações rochosas do vale. Seguimos para o Vale de La Luna de acesso controlado (2000 pesos adultos, 1000 pesos estudantes), aqui visitamos o pequeno museu que explica a formação do vale e a influência dos afloramentos salinos na geologia do ambiente. De volta ao vale fizemos uma trilha por uma pequena caverna de sal escavada pela ação das chuvas. Visitamos também as Três Marias, uma curiosa formação geológica que lembra a imagem de Nossa Senhora em três posições diferentes de culto, essa homenagem foi dada pelo multifacetário Padre Gustavo Le Paige, um arqueólogo desbravador de toda a região. Para finalizar o passeio, o guia rumou para o Anfiteatro, talvez o local mais bonito de todo o vale, uma depressão gigantesca com paredões arenosos que lembra em muito a geologia do Grand Canyon-EUA, aqui no Anfiteatro fizemos a parada mais longa com direito a subida da grande duna para assistir ao pôr do sol. À medida que o sol começa a se pôr, um jogo de sombras e cores deixa o local ainda mais bonito, um espetáculo que pode ser apreciado na duna virada para a Cordloheira dos Andes ou na montanha voltada para a Cordilheira de Sal.

13/01/2011. UYUNI-ATACAMA

Seguimos às 03h00minh da manhã com um frio ao redor de -10˚C e com o céu mais estrelado de toda a viagem até o ponto com maior altitude da travessia: o Geyser Sol de Mañana a 4900m de altitude. As fumarolas que encontramos ficaram mais intensas ao amanhecer, me empolguei e adentrei nas áreas mais internas do Geyser onde o cheiro de enxofre é intenso e o solo é instável. Seguimos com o raiar do sol até as Termas da Laguna Salada onde entramos na pequena piscina aquecida pelas águas termais com a laguna e os flamingos ao fundo. Depois desse ponto, a travessia passa em outro local de aspecto extraterrestre, o Deserto de Salvador Dali com montanhas multicolores e pedras surreais mergulhadas estrategicamente na areia. Alcançamos a Laguna Verde com Vulcão Licancabur ao fundo, um outro cartão postal, em horário impróprio por volta das 8:30h, isto porque o sol deixa a laguna com tom esverdeado somente após às 11:00h. Seguimos para desayuno no restaurante de uma vila no sopé da Laguna Blanca onde também tiramos ótimas fotos, era nossa última parada em terras bolivianas. Dali passamos pelo posto de controle do Parque Nacional Eduardo Avaroa onde entregamos os tickets e seguimos para o Posto Fronteiriço de Cajón onde o guia nos “abandonou”. Curiosamente pagamos uma taxa de 10 Bol. para receber o carimbo de saída do país. Tomamos um microônibus da Colque Tour para San Pedro do Atacama por uma ótima estrada asfaltada vislumbrando o Deserto do Atacama ao fim do brusco desnível do topo do Antiplano. Estávamos em meio à vegetação do oásis de San Pedro, depois de dois dias sem ver árvores. Como programamos reservas em hostels para todas as cidades da viagem, fomos direto para o pré-reservado HI Hostelling de Atacama na Av. Caracoles. Essa foi nossa única decepção em termos de hospedagem em toda a viagem, o hostel é apertado, com desayuno fraco, os quartos são abafados, os banheiros precários e com odor estranho. A obra no banheiro feminino obrigava as mulheres a dividirem as duchas coletivas com os homens. Os prós do hostel são a localização na rua principal de San Pedro, o serviço de agenciamento de passeios, e possibilidade de pagamento com cartão de crédito. Aqui conseguimos sacar dinheiro com cartão de débito internacional, o que nos tirou do sufoco que estávamos passando com o Visa Travel Money. Pagamos um táxi para o Pukar Pukara. Fechamos um pacote de passeios para os próximos 3 dias com a agência Corvatsch (http://www.corvatschchile.cl/): Vale de La Luna (tarde), Geyser Del Tatio (manhã), Laguna Cejar (tarde), Lagunas Antiplânicas (dia todo) por 50000 pesos chilenos por pessoa.

12/01/2011. UYUNI-ATACAMA

Seguimos pela manhã margeando o Salar de Uyuni passando pelas localidades de Colcha K e Chuvica até uma breve parada na pitoresca San Juan, onde podemos nos abastecer novamente com bebidas nos mini-mercados da vila e observar lhamas na praça da vila. Após San Juan, nós tomamos um desvio fora de estrada para atravessar o Salar de Chiguana, menor e de aspecto cinzento em comparação com Uyuni, a direita do salar observamos os vulcões Llixar e Talapaca e no fim do salar o ativo Vulcão Ollague com suas fumarolas. Por volta de 4200m, paramos no mirador do Ollague, lugar muito bonito, com belas formações geológicas. Após o mirante tomamos uma rota a direita subindo por um trecho exclusivo para 4x4 para alcançarmos a Laguna Cañapa rodeada pelos vulcões Callejón e Cañapa e repleta de flamingos. Na Laguna Cañapa, o guia Juvenal montou a tenda para um almoço mais leve com atum, legumes e frutas. Seguimos rumo as Lagunas Hediondas (Norte e Sul), Lagunas Ramadita, Honda, a seguir, adentramos em um estreito desfiladeiro até alcançar o surreal Deserto de Siloli, aqui só 4x4. O visual avermelhado e inerte foi impactante com montanhas imensas rodeando os extremos do deserto, como a Cordilheira de Las Siete Colores marcando a fronteira com o Chile, um lugar um tanto marciano. Seguimos até o cartão postal mais registrado do Antiplano, a Arbol de Piedra a 4590m onde um vento absurdo mal nos deixava ficar de pé. Para finalizar a travessia do dia, adentramos no Parque Nacional Eduardo Avaroa (ticket 150 Bol.) finalizando o dia no Alojamento ao lado da Portaria do Parque e de frente para a Laguna Colorada (Lat.22°10'27.62"S, Lon.67°49'7.90"O). Ao entardecer fizemos a caminhada de 1 hora até o mirante da Laguna Colorada sob forte vento, lugar com fortes contrastes de vermelho e cinza e rodeado de montanhas. À noite não deu para tomar banho, o “banheiro” tem pia e vaso, mas não tem canos, a água fica abastecida em um barril, negócio é abstrair e deixar o banho para odia seguinte. No jantar comemos novamente a sopa de legumes e em seguida uma macarronada. Hora de dormir, o dia seguinte começaria às 03h00min da manhã.

11/01/2011. UYUNI-ATACAMA

Tomamos desayuno no Hotel Sajama por 18 bol. por pessoa. Ao amanhecer compramos nosso estoque de água para a excursão e compramos medicamentos para soroche, ao contrário do altamente recomendado Soroche Pills, compramos Tunupa que usa acetazolamida como princípio ativo, funcionou muito bem quando precisamos e se soubéssemos da dificuldade para encontrar no Chile (nome: Diamox) e Peru (nome: Acetak), teríamos comprado mais cartelas. Nosso 4x4 saiu conosco (3) e mais um casal de franco-portenhos, um tanto confortável em comparação com outros carros. Visitamos o cemitério de trens no subúrbio de Uyuni e seguimos para porta de entrada do Salar, a cidade de Colchani, de lá seguimos para os Ojos Del Salar que são fontes borbulhantes de água estupidamente salinas. Seguindo para o primeiro hotel de sal podemos ver a dimensão do Salar de Uyuni, com pausa para clássicas fotos com ilusões de óptica. Na levitação sobre o “mar” branco do Salar até a Isla Incahuasi podemos ver a nossa direita o Vulcão Tunupa. Conta a lenda que o vulcão é o seio de uma mulher imortalizada pela deusa Pachamama, suas lágrimas e leite jorraram para formar o imenso salar. Na Isla Incahuasi (entrada 15 Bol.) tivemos um almoço nas mesas de sal ao lado do 4X4, e fizemos a trilha ao redor da ilha onde observamos os cactos gigantes e horizonte do salar, o melhor cartão postal do salar. Aqui fizemos a troca do 4x4 para outro pilotado pelo guia Juvenal, um boliviano de poucas palavras, mas prestativo. O caminho após a Isla nos presenteou com um trecho alagado onde as nuvens refletem no sal, colocando o céu de ponta a cabeça. Ao fim da tarde chegamos a Vila de Atulcha (Lat. 20°34'10.03"S, Lon.67°38'29.30"O) onde nos hospedamos em um hotel de sal com bela vista para o salar. Com opção de banho quente por 10 Bol., não tivemos dúvida em pagar, já que no segundo dia não haveria duchas para banhos. À noite, os guias se encarregaram de servir uma sopa de legumes de entrada e frango grelhado, a bebida nós compramos no bar da vila.